No terceiro dia, José lhes disse: “Eu tenho temor de Deus. Se querem salvar sua vida, façam oseguinte: se vocês são homens honestos, deixem um dos seus irmãos aqui na prisão, enquanto osdemais voltam, levando trigo para matar a fome de suas famílias. Tragam-me, porém, o seu irmãocaçula, para que se comprovem as suas palavras e vocês não tenham que morrer”.
Eles se prontificaram a fazer isso e disseram uns aos outros: “Certamente estamos sendo punidospelo que fizemos a nosso irmão. Vimos como ele estava angustiado, quando implorava por suavida, mas não lhe demos ouvidos; por isso nos sobreveio esta angustia”.
Rúben respondeu: “Eu não lhes disse que não maltratassem o menino? Mas vocês não quiseramme ouvir! Agora teremos que prestar contas do seu sangue”.
Ele, porém, não sabiam que José podia compreendê-los, pois ele lhes falava por meio de uminterprete. Gê 42.18-23
Deus usa constantemente a vida dos personagens bíblicos para nos ensinar, encorajar etambém para advertir. A história da vida de José é um bom exemplo.
Ele era o filho mais velho (dos dois) que Jacó tinha com Raquel. Era o preferido entre osdoze irmãos, e esta preferência provocou o ódio dos seus irmãos, a ponto de desejarema sua morte. Quando tiveram a oportunidade, lançaram José numa cisterna e o venderamcomo escravo a uma caravana que passava, e disseram a Jacó que um animal selvagemtinha atacado e devorado José lhe mostrando as suas roupas rasgadas e manchadas dosangue de um cordeiro que abateram, para enganar Jacó.
José foi levado ao Egito onde foi vendido a um oficial do Faraó chamado Potifar. Deus deugraça a José perante Potifar e ele se tornou o administrador de todos os seus bens. Depoisde ter sido assediado e injustamente acusado pela mulher de Potifar, José foi lançado naprisão onde algum tempo depois conheceu o chefe dos copeiros e o chefe dos cozinheirosdo Faraó que estavam presos, (por algo que não sabemos). Estas duas personagens tiveramsonhos que foram interpretados corretamente, e conforme a interpretação de José ocopeiro foi solto e restituído ao seu cargo, e o padeiro foi executado.
Dois anos depois, o Faraó teve dois sonhos (que os sábios do Egito) não souberaminterpretar, então o copeiro lembrou-se da interpretação de José na prisão e falou sobreele. O Faraó mandou chamar José que interpretou os sonhos de forma convincente, alémde sugerir um plano de ação. O plano pareceu bom ao Faraó e aos seus conselheiros eJosé foi convidado a executá-lo tornando-se o homem mais importante do Egito depois doFaraó, (uma espécie de primeiro ministro).
Conforme o plano, (durante sete anos) ele armazenou o excedente da fartura. Assim,quando acabaram os anos de fartura e começaram os sete anos de escassez (que Josétinha predito), e houve fome em toda a terra, mas no Egito havia comida, e de toda partevinha gente ao Egito para comprar trigo de José.
Jacó enviou os dez irmãos de José para comprar trigo no Egito, mas deixou Benjamim com
Ap. Doriel – Ceia de julho 2011
ele em Canaã. José reconheceu os seus irmãos, mas eles não o reconheceram, (para elesera Zafenate-Fenéis, o comandante do Egito), e ele os acusou de espiões.
Coloque-se na pele de José, os irmãos não o reconheceram e não sabiam que eleentendia o que falavam. Como ele deve ter-se sentido ao ouvir o que estavam dizendo. Nalinguagem original, o ‘nós’ na conversa deles é enfático!
‘Nós somos culpados. Nós vimos como ele estava angustiado. Nós não lhe demos ouvidos’.Gê 42.21
O primeiro passo, para curar uma consciência pesada, é aceitar a responsabilidade peloque fez. Os irmãos não culparam o pai por ser passivo. Não culparam o irmão José porser orgulhoso, arrogante ou favorecido. Não minimizaram o erro dizendo que eram jovensdemais para agir de outro modo. Usaram o pronome certo quando concordaram: ‘Somosresponsáveis!’.
Quando você prejudica alguém e não procura acertar as coisas com ela e com Deus, vocêse torna vitima da mesma angustia que afligia essa pessoa,
Vimos como ele estava angustiado, (…) por isso nos sobreveio esta angustia. Gê 42.21
O crime dos irmãos, já tinha mais de duas décadas, mas ainda lembravam sentiam osofrimento que lhes causara. O tempo não apaga a angústia. Não podemos fugir daslembranças da culpa. As complicações emocionais, produzidas pelas conseqüências donosso pecado, podem ser devastadoras, a ponto de nos deixar fisicamente enfermos.
Não precisamos ficar imaginando o que José sentiu ao ouvir dos irmãos as palavras deadmissão de culpa pelo que haviam feito. Pois ele saiu do aposento para chorar. Elesestavam assustados, pois foram acusados injustamente. José sabia o que isso podia fazera uma pessoa, (ele passára por isso).
Os irmãos queriam sair do Egito o mais depressa possível. Assim que os sacos foramcarregados nos jumentos, começou imediatamente a viagem de volta a Canaã. Algoaconteceu, porém, na primeira noite em que pararam para descansar e para alimentar osanimais. Quando um dos irmãos abriu um saco para tirar a comida, encontrou dentro dele odinheiro usado para pagar os alimentos.
Os outros irmãos abriram rapidamente os sacos e descobriram que o seu dinheiro tambémfora devolvido. No entanto, em vez de se alegrarem com a surpresa sentiram medo.Puseram-se a tremer ao olhar uns para os outros. Foi então que disseram:
Que é isto que Deus fez conosco? Gê 42.28
Gosto desta declaração. Pois ela demonstra que eles não apenas sentiam o peso da culpa,mas também da mão de Deus: ‘O que Deus está fazendo?
Quando Deus abranda uma consciência cauterizada ela começa a ganhar uma perspectivadiferente. Quando o dano, a mágoa ou o sofrimento, que provocamos em alguém recaisobre nos, algo começa a mudar em nosso íntimo.
Ap. Doriel – Ceia de julho 2011
Quando Jacó soube o que havia acontecido se encolheu de medo. Em vez dedizer: ‘Demos graças, o Senhor está trabalhando. Filhos, nós temos promessa e o Senhoré fiel! Ele nos ama e nos protege. Estamos todos seguros em seus cuidados’. Jacó não fezisso. Ele estava negativo.
Seus filhos não só haviam voltado com o alimento que precisavam, como também comtodo o seu dinheiro. Eles haviam recebido gratuitamente cereais do Egito. Tudo o que lhestinha sido pedido fora que provassem não serem espiões, voltando com seu irmão maismoço e libertando Simeão que ficara como refém, Jacó, todavia, não viu nada disso comoprovisão divina. Ele ficou paralisado de medo e se concentrou nos detalhes negativos.
No momento em que ouviu que os filhos haviam deixado o irmão no Egito, ele logo concluiuque Simeão estava morto.
E disse-lhes seu pai Jacó: “Vocês estão tirando meus filhos de mim! Já fiquei sem José, agora semSimeão e ainda querem levar Benjamim. Tudo está contra mim! Gê 42;36
Pensamento negativo. Mente fechada para o novo e o inesperado. É por isso quetendemos a entrar em pânico. Em termos humanos, você e eu (com a queda) fomosprogramados para a derrota. Desenvolvemos reações habituais que deixam Deus fora doquadro. Quantas vezes agimos da mesma forma que Jacó?
Então disse Judá a Israel, seu pai: “Deixa o jovem ir comigo e partiremos imediatamente, a fimde que tu, nós e nossas crianças sobrevivamos e não venhamos a morrer. Eu me comprometopessoalmente pela segurança dele; podes me considerar responsável por ele. Se eu não o trouxerde volta e não o colocar bem aqui na tua presença, serei culpado diante de ti pelo resto de minhavida. Como se vê, se não tivéssemos demorado tanto, já teríamos ido e voltado duas vezes. Gê 43.8-
Judá se ofereceu para receber a culpa, embora arranjar culpados seja uma atitude fútil.(Gritar com a escuridão não faz ela se tornar luz). Nós, porém, gostamos de procurar culpados,(Não sei porque isto traz uma sensação de paz). ‘Pai’, disse Judá, ‘se quer culpar alguém,culpe a mim, mas deixe que Benjamim vá conosco. Estamos morrendo aqui’.
Jacó cedeu. Mas, voltou a outro velho padrão carnal. Ordenou-lhes que levassempresentes, coisas nativas de Canaã. Anos antes, ele fizera isso com seu irmão, Esaú, etinha dado certo. Poderia funcionar também com o governador do Egito.
Então Israel, seu pai, lhes disse: “Se tem que ser assim, que seja! Coloquem alguns dos melhoresprodutos da nossa terra na bagagem e levem-nos como presente ao tal homem: um pouco debalsamo, um pouco de mel, algumas especiarias e mirra, algumas nozes de pistache e amêndoas.Levem a prata em dobro, e devolvam a prata que foi colocada de volta na boca da bagagem devocês. Talvez isso tenha acontecido por engano. Peguem também o seu irmão e voltem àquelehomem. Gê 43.11-13
Jacó enxergava todo tipo de intriga, mas continuava se recusando a ver a mão de Deus emação. Ele não conseguia dizer: ‘Olhem, filhos, não sabemos o que tudo isto significa, massabemos que estamos confusos e precisamos da ajuda de Deus. Vamos confiar n’Ele para
proteção e discernimento. Vamos pedir a Ele que nos dê instruções como agir.
Pais, esta é uma boa oportunidade para que eu insista com vocês: chamem seus filhospara orar. Peçam a direção d’Ele até mesmo quando pensarem saber como agir.
É possível que um de seus filhos ou de suas filhas esteja entrando numa fase de rebeldia.Ouça o que ele ou ela diz. (crie um clima para orarem). Ouça durante mais tempo do queo normal. Faça um esforço para não se intrometer. Assuma quando não tiver certeza decomo responder. Então, sentem-se e orem juntos pedindo a direção do Senhor.
Posso imaginar o que aqueles homens, (os filhos de Jacó), conversaram durante a viagemde Canaã ao Egito. Era o mesmo tipo de conversa que qualquer um teria no lugar deles.(As palavras mudam, mas o sentimento é o mesmo). Quando estamos viajando de Canaãpara o Egito a culpa sempre nos persegue e ela certamente fez isso com eles.
Diante de um egípcio anônimo, (a quem nunca haviam visto), eles despejaram a suaconfissão: ‘Não sabemos como o dinheiro foi parar nos sacos de viagem a primeira vez queestivemos aqui. Trouxemos tudo de volta. Também dinheiro adicional para comprar maisalimentos. É por isto que estamos aqui: para comprar comida’.
“Fiquem tranqüilos”, disse o administrador. “Não tenham medo. O seu Deus, o Deus de seu pai, foiquem lhes deu um tesouro em suas bagagens, porque a prata de vocês eu recebi.” Então soltouSimeão e o levou a presença deles. Gê 43.23
Gosto da resposta do administrador: ‘Fiquem tranqüilos’ (fiquem em paz). Em hebraico,simplesmente: shalom. O administrador (que sabia a linguagem deles) usou sua palavra parapaz. Ele disse: ‘Shalom, que significa paz. (calma, tranqüilidade). A seguir, o egípcio atétestemunhou para eles sobre Deus: ‘O seu Deus foi quem mandou colocar o tesouro nosseus sacos de viagem. Ninguém pensa que foi um roubo. Eu sei o que aconteceu; fui euque o colocou ali. Eu é quem tinha o seu dinheiro. Foi um tesouro do Senhor, o Deus deseu pai’.
Eles estavam em agonia, imaginando o que aconteceria, (esperando o pior). Em vez dissoo egípcio disse: ‘Shalom! O Senhor fez isso’. Que censura! (Que vergonha). E, a propósito,que surpresa interessante, o fato desse egípcio compreender tão profunda teologia. Semdúvida, isso era o resultado da influencia de José naquele ambiente.
Os irmãos de José não haviam (sequer) pensado em relacionar à volta do dinheiro, à graçaabundante de Deus. Por quê? Porque a culpa impedira que vissem como a mão graciosade Deus fora largamente demonstrada a eles. Todavia, o favor imerecido veio a eles: cerealem abundancia, dinheiro em abundancia. E agora seu irmão Simeão lhes foi entregue, ilesoe com saúde. Misericórdia em abundancia.
Seus irmãos foram colocados à mesa perante ele por ordem de idade, do mais velho ao maismoço, e olhavam perplexos uns para os outros. Então lhes serviram a comida da mesa de José,e a porção de Benjamim era cinco vezes maior que a dos outros. E eles festejaram e beberam avontade. Gê 43.33,34
Os irmãos de José ficaram espantados com a maneira que foram acolhidos. Haviamesperado que muitas coisas acontecessem com eles, (até mesmo a possibilidade de seremmortos), mas certamente não aquilo. Estavam todos, sentados de acordo com a idade,jantando, (na sala de honra) com Zafanete-Féneia, o primeiro ministro do Egito. E que festa!Os hebreus famintos devem ter pensado que haviam morrido e ido para a glória.
Surpreendentemente, os atos da graça de José os libertara. No inicio houve sentimentode ansiedade (intimidação) e medo, à medida que a culpa os mantinha em suas garras. Omedo deles não conhecera limites.
Em pouco tempo, porém, eles se viram tratados bondosamente, sentados em volta de umamesa de banquete transbordando de comida e, acima de tudo, relaxando na presençaalegre da realeza. Que alivio! Melhor ainda, quanta graça! Estavam recebendo favor ebondade que não mereciam. Viram-se sobrecarregados com uma abundancia de provisõesque jamais poderiam retribuir. O medo fora substituído pela graça. Por quê? Uma razãosimples: faziam parte da família.
Nota: Você pode ver Jesus como seu irmão? Você sente-se membro da família? Então porque aansiedade com a tribulação? Por que o medo com o futuro? Nosso futuro tem nome e chama-se Jesus!
José, esse grande homem, embora ainda não reconhecido (pelos outros) como seu irmão,decidiu perdoar os maus tratos sofridos e demonstrar graça. Em vez de lembrá-los de seuserros e forçá-los a pagar pela crueldade e injustiça do passado.
Nota: José soube renunciar a direito de revidar.
A vida de José oferece um retrato (magnífico) da graça de Deus quando veio em nossosocorro na pessoa de seu Filho, Jesus. Muitos vão a Ele, como os irmãos de José,envergonhados e sentindo a culpa pelo que fizeram no passado e temendo receber o pior,mas descobrem generosidade e misericórdia inconcebíveis.
Em lugar de acusação encontram perdão; percebem que não há rejeição, mas aceitação;Em lugar de castigo, (que certamente merecem), são sentados em sua mesa e servidos commais do que merecem.
Contudo, o Senhor espera o momento de ser bondoso com vocês; ele ainda se levantará paramostrar-lhes compaixão. Pois o Senhor é Deus de justiça. Como são felizes todos os que neleesperam! Is 30.18
Que promessa! Se você crê venha a mesa da Ceia reivindicando ela. Você anseia porEle? Tenho ótimas noticias! De modo ainda maior – maior do que você não poderia sequerimaginar – Ele anseia por você.
JOSÉ (Ceia de julho) Ap. Doriel Dias
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