Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até a morte e morte de cruz. Fp 2.5-8
Jesus abriu mão da glória, do poder e da riqueza; abriu mão de privilégios inimagináveis, para nascer em um pequeno estábulo, filho de pais desconhecidos e pobres. Ser criado em uma família de classe operária, trabalhar como carpinteiro, e depois ser mestre sem teto de um ministério itinerante que mais tarde também teve de abrir mão.
Reunido com os discípulos em torno de uma mesa, (que hoje chamamos mesa de comunhão), anunciou que abriria mão da própria vida em favor deles, e ensinou que o único modo de ganhar a vida é abrindo mão dela. Em seguida se deixa levar para uma cruz aonde clamou em alta voz:
Pai, em tuas mãos entrego meu espírito! Lc 23.46
Ao fazer isso, ele nos salvou e ensinou sobre confiança. E você que confessa ser discípulo de d’Ele está disposto a abrir mão de que?
‘Certa vez um jovem rico se aproximou de Jesus e Ele lhe perguntou: “Você está disposto a se soltar? (Está disposto a abrir mão dos seus bens para me seguir?)” A prisão daquele jovem chama-se dinheiro. Mt 19.16-22 E você o que está lhe prendendo?
‘Jesus falou com uma mulher flagrada em adultério: Vá e não peque mais. Jo 8.11 Você está disposto a abrir mão de um relacionamento que sabe que desonra Deus?
Sabe do que você precisa abrir mão? A resposta é simples: De qualquer coisa que o mantenha distante de Deus.
- Abra mão de seu relacionamento (se ele desonra Deus).
- Abra mão de seu apego ao dinheiro, (se ele o faz egoísta, mesquinho ou avarento). Abra mão de seu poder, (se ele o impede de ser servo).
- Abra mão de seu vício. Admitindo e buscando ajuda.
- Abra mão daquele hábito (que você sabe) que desagrada a Deus.
- Abra mão daquele ressentimento.
- Abra mão de seu ego, de seu orgulho, de sua reputação, e da sua desobediência.
- Saia do escuro.
Depois que você abrir mão (destas coisas), Deus lhe dirá: “Agora espere”.
Ninguém gosta de esperar. O que você faz quando espera? Fica preocupado, ansioso, irritado, murmura; rói unhas, arranca os cabelos ou agride quem está por perto?
Nota: Abraão caiu no “Agar” de Sara quando esperava o filho da promessa. Os israelitas atravessaram o deserto choramingando (e murmurando) ao esperar quarenta anos pela terra prometida. Gideão levantou sedo para conferir a lã e ver se Deus falava sério ou se tudo não passava de conversa fiada. Você já imaginou como foi à espera dos discípulos desde à tarde da Sexta-feira da Paixão até a manhã do Domingo de Páscoa?
A fé sempre envolve espera e nunca se resume a uma questão intelectual.
Uma coisa é dizer que crê e outra bem diferente é acreditar no que diz que crê. Observe dois sujeitos que professam a mesma fé e provavelmente descobrirá que têm convicções diferentes.
Todos têm convicções sobre o que crêem, e elas podem ser: Púbica (o que digo ser); privada (no que penso crer) ou íntima (no que revelo crer pelos meus atos).
Nota: Veja o que você anda fazendo e descubra no que (realmente) você crê!
As convicções públicas são aquelas em que você quer que as pessoas pensem que você acredita em algo, mesmo que não seja verdade.
‘Por exemplo: Uma senhora lhe pergunta o que acha da sua aparência, (maquiagem ou do seu vestido), mesmo que a resposta certa seja: “Está horrível.” Você não faz a declaração deste tipo para manter um bom relacionamento, (ou simplesmente para ser simpático).
‘Personalidades públicas são famosas por anunciar suas convicções com o intuito de criar uma impressão em vez de transmitir a verdade. Por exemplo: “Este é o melhor país sobre a face da terra”; “Esta é a eleição mais importante da nossa vida”. Embora não seja verdade, soam como se fosse e permite ao falante impressionar os ouvintes.
‘Tem sido assim durante muito tempo. Depois que Jesus nasceu, o rei Herodes disse aos magos:
Vão informar-se com exatidão sobre o menino. Logo que o encontrarem, avisem-me, para que eu também vá adorá-lo. Mt 2.8
‘Esse não era o verdadeiro intento de Herodes. Ele só queria influenciar os magos a seu favor.
Convicções privadas são aquelas em que você pensa acreditar, mas que no final das contas, sua crença é ilusória. Por estranho que pareça você pode acreditar em algo e ao mesmo tempo as suas convicções serem contraditórias.
A convicção parece real no momento, mas se as circunstancias mudam, ela também muda.
‘Um exemplo bíblico disso aconteceu na noite antes de Jesus morrer, quando ele anteviu que Pedro o negaria, e Pedro discordou:
Ainda que todos te abandonem, eu não te abandonarei! Respondeu Jesus: “Asseguro-lhe que ainda hoje, está noite, antes que duas vezes cante o galo, três vezes você me negará. Mas Pedro insistia ainda mais: “Mesmo que seja preciso que eu morra contigo, nunca te negarei”. E todos os outros disseram o mesmo. Mc 14.29-31
No momento em que proferiu estas palavras, é evidente que Pedro estava sendo sincero, embora suas convicções não fossem verdadeiras, pois não se sentia da mesma maneira, quando foi confrontado pela criada do sumo sacerdote.
Estando Pedro embaixo no pátio, veio uma das criadas do sumo sacerdote e, vendo Pedro, que se aquentava, fixou-o e disse: Tu também estavas com Jesus, o Nazareno. Mas ele o negou, dizendo: Não o conheço, nem compreendo o que dizes. E saiu para o alpendre. Mc 14.66-68
Nota: Às vezes achamos que temos convicções, mas elas se mostram instáveis, pois, não são profundas, e, quando as circunstancias se alteram, sentimos diferente. Eu diria que algumas vezes estamos sinceramente enganados.
As convicções privadas envolvem um auto-enganou: queremos acreditar em algo, ou estamos empenhados em acreditar, mas no fundo sabemos que é falso. Isto acontece com freqüência num relacionamento onde um dos cônjuges quer acreditar que o outro vai mudar, embora não veja mudança.
Acontece também em relacionamentos comerciais, e o mais comum é no esporte, onde torcidas inteiras querem acreditar que o seu time pode ser campeão, quando ele corre o risco de rebaixamento. E por incrível que pareça elas acreditam no que estão dizendo. O mesmo acontece com Pais que exageram as habilidades dos filhos.
‘Um grupo estava estudando a passagem bíblica sobre o profeta Eliseu e seu servo no momento em que o inimigo vinha contra eles e o servo se sentia muito inseguro. Eliseu orou para que Deus lhe abrisse os olhos, e de repente o servo viu que estava cercado de anjos e carros de fogo, o que significa que estava seguro sob os cuidados vigilantes do Senhor.
‘O líder do grupo perguntou: “Como reagiriam se acontecesse a vocês uma coisa dessas? É uma boa pergunta. Como você responderia a ela? Um dos integrantes do grupo, (considerado um homem brilhante, com título de ph.D.), e que passara a vida inteira na igreja respondeu: “Eu ficaria surpreso em descobrir que aquilo em que acreditei a vida inteira acabava de se revelar verdadeiro.
Confesso que para mim é difícil entender esta resposta. O que significa crer em alguma coisa se me causaria surpresa ela se mostrar verdadeira? Às vezes é difícil para alguém (razoavelmente) honesto expressar aquilo em que acredita.
As convicções íntimas são aquelas que se revelam em nossos atos diários, (no que fazemos de fato). Compõem o que poderia ser chamado de “mapa mental”. Cada um de nós tem um mapa mental sobre como as coisas são e como a vida funciona de verdade.
‘Por exemplo: Acredito que, se eu puser a mão no fogo vou me queimar com a mesma convicção que acredito na gravidade. Isto faz parte do meu mapa mental, portanto não preciso me esforçar para me comportar de modo coerente com o fogo e nem com a gravidade.
Não preciso demonstrar a ninguém a minha crença na força da gravidade. Não preciso lembrar a mim mesmo que não devo saltar de um prédio de dez andares. (Por outro lado se eu quisesse cometer suicídio eu saltaria), meus atos são sempre o resultado de meus propósitos e de minhas convicções íntimas.
Nota: Seus atos revelam em que você realmente crê. Da mesma forma os meus atos revelam em que de fato creio.
Existem determinadas situações em que mesmo sabendo que tem total segurança você hesita. Para alguns é andar numa montanha russa, para outros é andar de avião ou de barco, e para outros um elevador panorâmico.
‘Todos acreditam na segurança, mas quando arrisca descobre que o corpo não acredita que está seguro. (As glândulas sudoríparas têm duvidas a respeito. As batidas do coração aumentam. O estomago protesta). Você tenta convencer o corpo de que ele está seguro, mas ele parece não ouvir. Entretanto outras pessoas fazem essas coisas todos os dias. O corpo delas acredita estar seguro
É estanho, mas é comum você acreditar em algo que seu corpo não acredita, vejamos alguns possíveis exemplos:
‘A Bíblia diz: Não julguem para que não sejam julgados. Mt 7.1 Todos crêem nisso, mas é evidente que a boca de muitos não está nem um pouco convencida.
É melhor dar do que receber. At 20.35 Ninguém contesta este ensino, embora alguns não consigam abrir a mão.
Fé é crer com o corpo o que afirmo crer com a mente.
O melhor indicador de suas verdadeiras crenças e propósitos são os seus atos. Eles sempre fluem do seu mapa mental. O que você afirma crer pode ser falso. O que você pensa crer pode ser transitório.
Vivemos sempre a mercê daquilo que pensamos que as coisas são. Por exemplo: Embora a mentira seja uma abominação para o Senhor, algumas vezes ajo como se fosse necessária para evitar um constrangimento, uma dor ou simplesmente para levar vantagem.
Nosso comportamento também trás a tona o que (realmente) cremos a respeito de Deus. Eu o desafio a examinar a crença de que Deus sempre está presente e nos observando.
‘Acompanhe o meu raciocínio: Se o seu patrão, seu cônjuge ou sua mãe estivesse lhe observando o tempo todo, você evitaria alguns comportamentos negativos, porque você não poderia dizer que é mentira o que sabia ser conhecido. Não faria certas coisas. Seu comportamento seria alterado.
‘No entanto, praticamos coisas que sabemos desagradar a Deus. Será que cremos realmente que Ele está presente ou temos a capacidade de deixar de lado essas crenças quando nos é conveniente?
Identificamos como má-fé o comportamento de alguém que afirma crer de um modo, porém age de outro. Por outro lado, denominamos boa-fé a coerência entre o que afirmamos crer e como agimos de fato.
No testemunho de Jesus há coerência. O que Jesus pensava e dizia estava em harmonia com o que fazia. Ele era um Homem de boa-fé. Ele também era um mestre. Que tipo de convicção, você acha, que Jesus está interessado em mudar, (na sua e na minha vida), as públicas, as privadas ou as íntimas?
Nota: Como qualquer bom professor, Ele está interessado em como as coisas verdadeiramente são, sem dissimulação nem auto-engano.
Havia coerência entre o que Jesus dizia, pensava e fazia. Ele acreditava existir um Pai celestial sempre presente com Ele, que o amava. Jesus acreditava nisso como nós acreditamos na lei da gravidade.
Os discípulos olhavam para Jesus e pensavam: “Eu gosto da vida dele. Queria ser capaz de viver do mesmo jeito” (por isso o seguiam). Quando tentaram fazer o que Jesus disse, descobriram que seus ensinamentos faziam sentido. O perdão funcionava melhor que a vingança.
O crescimento dos discípulos se deu mais ou menos assim: primeiro, eles tiveram fé em Jesus; depois começaram a ter a fé de Jesus.
A mais profunda convicção do cristão é a de que Cristo não estava errado.







