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Dúvida – Ap. Doriel Dias

Sep - 5 - 2011
rafaelmaia

Seguiram os onze discípulos para a Galiléia, para o monte que Jesus lhes designara.

E,quando o viram, o adoraram; mas alguns duvidaram.

Jesus, aproximando-se falou-lhes, dizendo: Toda autoridade me foi dada no céu e na terra.

Ide, portanto, fazei discípulos batizando-os em nome do Pai, do filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século. Mt 28.16-20

Assim termina o evangelho de Mateus e é interessante que as últimas palavras usadas para descrever os discípulos tenha sido: Quando o viram, o adoraram; mas alguns duvidaram. Mt 28.17

Os onze seguiram a Jesus durante três anos. O viram realizar milagres (de cura, libertação e até ressuscitar mortos), ouviram e se maravilharam com seus ensinamentos. Depois o viram crucificado e ressurreto, e a última coisa que lemos sobre eles é: Mas alguns duvidaram. Mt 28.17

Nota: Mateus não encobre o fato, ao contrario, chama a atenção para ele.

Estes discípulos, (que mais tarde foram chamados de cristãos, ou seja, pequenos Cristos), são as primícias dos crentes da igreja atual. E o interessante é que esta característica nos acompanha. Somos “crente bipolar”, pois vivemos entre a adoração e a dúvida; a confiança e o questionamento; a esperança e a preocupação.

Quando Jesus confiou aos discípulos à chamada Grande comissão, enviando-os para serem os seus agentes no mundo, deve ter olhado para aqueles adoradores cheios de dúvidas, antes de dizer: Vão! Mesmo cheios de dúvidas vocês mudarão o mundo por mim. Jesus sabia que à medida que eles avançassem as dúvidas seriam sanadas.

Discípulos não são pessoas que jamais duvidam. Eles duvidam e adoram. (Duvidam e pregam. Duvidam e evangelizam. Duvidam, mas dão um bom testemunho). Duvidam e ajudam uns aos outros em suas dúvidas. Duvidam e são fieis. Duvidam mas têm esperança.

Nota: Será que você é diferente? Amado você duvida porque é normal.

De vez em quando a dúvida faz bem para nós. Pode nos motivar a estudar e aprender. Pode diminuir nossa arrogância. Pode nos fazer pisar no freio. Pode nos lembra de quanto à verdade é importante.

Nota: Martinho Lutero, grande defensor da fé, mas que também lutou contra a dúvida, insistia em que o orgulho, e não a dúvida é o oposto da fé.

No entanto a dúvida também pode fazer mal; ela azeda como leite estragado, e é capaz de infiltrar-se na mente, parar a vontade, bloqueando a coragem e a devoção. Consegue prejudicar nossa capacidade de persistir, nos tornando indecisos, e corroendo a confiança.

Fazendo uma analogia. Assim como o colesterol pode ser bom (HDL) e ou ruim (LDL), da mesma forma a dúvida pode ser boa ou ruim. Assim como o colesterol pode ser fatal para a saúde, a dúvida (quando mal administrada) pode ser fatal para a fé.

A dúvida boa é aquela que nos tira da comodidade proporcionada pela segurança e nos faz vigiar.

Certa vez fui procurado por um ex-membro, com uma apostila que defendia a doutrina “uma vez salvo, salvo para sempre”. Ele queria a minha opinião, (ou melhor, queria uma discussão teológica), mas me limitei a fazer a seguinte pergunta: “Esta certeza vai lhe edificar, santificar ou liberar para atender os anseios carnais?” Ele ficou pensando e não voltou a falara comigo sobre o assunto.

Eu sabia que ele tinha um relacionamento fora do casamento e penso que estava procurando apoio para isto. Algumas pessoas gostam de se enganar e abraçam qualquer doutrina que justifique suas atitudes. Não querem mudar, mas querem apoio.

Não há caminho para Deus que ignore a santidade. Você pode ter muitas dúvidas teológicas (intelectuais) e é importante ser sincero em relação a elas, (conversar sobre elas), orar e examinar as Escrituras.

Todavia, confessar, orar e estudar, não afasta a necessidade de escolher. É preciso se posicionar. É preciso identificar o que está lhe segurando. Solte-se do egoísmo. Solte-se do medo. Saia da escuridão. Faça a escolha certa, e a escolha certa é Jesus.

Acredite n’Ele ou não. Um dia, (independente da sua vontade), a vida se soltará de você. Comigo acontecerá à mesma coisa. Portanto a verdadeira questão é. O que acontece em seguida? Esta dúvida pode direcionar sua vida.

Alguns acreditam que será o fim. Que não existe nada além da morte. Pensam que o que chamamos de alma não passa de neurônios que deixarão de trocar impulso, e nada mais. Os seis trilhões de átomos que foram utilizados por seu corpo se transformarão em adubo e que você é simplesmente isso.

Jesus, no entanto, dizia que existe um Criador e que há vida após a morte. Mesmo assim, (alguns crentes), ficam “em cima do muro” e crêem na ressurreição de forma abstrata, como se fosse uma idéia.

As dúvidas mais comuns podem ser divididas em três categorias.

  • A primeira está relacionada a provas. Às vezes gostaríamos que houvesse o mesmo tipo de prova da existência de Deus que há a respeito do fígado, do sarampo ou da diabete.
  • A segunda está relacionada aos próprios crentes. Por que não somos melhores? Porque os crentes se envolvem em todo tipo de confusão. De cruzada a inquisição. Faz politicagem, manipulação e exploraram uns aos outros. Roubam e fazem todo tipo de discriminação, (às vezes em nome de Deus).

Se o que Jesus disse é verdadeiro porque não amamos o próximo que foge do nosso padrão? E por que alguns crentes podem ser negativos, críticos, hipócritas, mesquinhos e vingativos?

  • A terceira categoria está relacionada ao problema da dor. Por que Deus não explica o que está acontecendo (ou, melhor ainda, por que não lhe dá um basta), e tantos inocentes sofrem.

Todos já fomos confrontados por essas dúvidas. Como você administrou isto? “Há luz suficiente para quem quer ver e escuridão suficiente para quem crê diferente.” Pascal

Um crente que não tinha um bom testemunho ao ser confrontado: “Como você pode ser crente e comportar-se tão mal, ser tão mesquinho, tão egoísta e aproveitador?” Ele respondeu: “Imagine só se eu não fosse cristão.”

Cinismo ou realidade? Qual a sua opinião? “Se você não se sente mais próximo de Deus, de quem é a culpa?” A dúvida pode transformar as pessoas em céticos, cínicos ou rebeldes.

O cético é alguém que diz: “Não há provas suficientes para isto! Não quero dar a impressão que sou ingênuo.” Por trás deste comportamento está o medo. (Medo do ridículo. Medo de sofrer). O cético assume a postura de um observador inteligente, quando na verdade está com medo do que os outros vão pensar.

Na época da revolução francesa, houve um período de terror. As pessoas eram executadas a torto e a direito. Três homens aguardavam a vez de morrer. O primeiro era um sacerdote. Que ao lhe perguntarem: “Quais são as suas últimas palavras?” Ele respondeu: “Creio que Deus me salvará”. Posicionou a cabeça na guilhotina, a lâmina desceu, mas parou cinco centímetros antes de atingir o pescoço. É um milagre, comentaram e o deixaram ir.

O próximo da fila era prudente e quando lhe perguntaram: “Quais são as suas últimas palavras?” Ele respondeu: “Creio que Deus me salvará”. Posicionou a cabeça na guilhotina, a lâmina desceu, mas parou cinco centímetros antes de atingir o pescoço. É um milagre, comentaram e o deixaram ir.

O terceiro era um cético. (Não queria que o associassem aos crentes) e quando lhe perguntaram: “Quais as suas últimas palavras?” Olhando para a guilhotina ele respondeu: Acho que alguma coisa está obstruindo o mecanismo da lâmina.

Os céticos preferem parecer certos, ainda que à custa da própria vida, a correr o risco de confiar.

Um dos discípulos bastante conhecido por esse tipo de ceticismo, é Tomé. Três vezes é mencionado no evangelho de João, sempre expressando ceticismo.

Um aspecto da dúvida (mal administrada) ilustrado por Tomé está relacionado a como ela nos rouba a confiança e a esperança. Jesus se dirigia a Betânia para ajudar Maria e Marta. Lázaro se encontrava enfermo, (na verdade, estava morrendo). Os discípulos tentaram evitar a viagem porque Jesus enfrentara problemas naquela cidade. Contudo, Ele não se deixou convencer.

Então Tomé, chamado Dídimo, disse aos discípulos: “Vamos também para morrermos com ele”. Jo 11.16

Nota: Não é o tipo de comentário capaz de animar uma turma assustada. Quando a dúvida é mal administrada sentimos medo.

A profundidade da duvida de Tomé veio a tona quando Jesus, (depois da ressurreição), apareceu aos discípulos. Todos estavam reunidos, exceto Tomé. (O texto não informa por que Tomé não estava com eles. Será que pretendia se afastar do grupo? Não sabemos).

O fato é que os discípulos queriam contar para ele a novidade: “Tomé, nós o vimos! Ele está vivo! Ressuscitou dentre os mortos! No entanto, a resposta de Tomé os deixou atônitos: “Não acredito em vocês.

Em outras palavras: “Ou vocês estão mentindo ou estão tendo alucinações”. Tomé conhecia Jesus. Ele o vira ensinar e realizar milagres. Tomé tinha bons motivos para acreditar. Contudo, escolheu o caminho do ceticismo e deu uma resposta surpreendente:

Se eu não vir as marcas dos pregos nas suas mãos, não colocar o meu dedo onde estavam os pregos e não puser as minhas mãos no seu lado, não crerei. Jo 20.25

Quando a dúvida assume essa forma, produz o que Tiago chama de “mente dividida”. Tg 1.5-8 quem tem mente dividida, segundo ele, é inconstante como uma onda do mar, deixando-se levar para frente em um instante e para trás no instante seguinte.

Essa pessoa se divide em duas direções ao mesmo tempo. Quer ser generoso, mas também deseja acumular coisas. Quer ser humilde, mas ao mesmo tempo ser percebido e aplaudido. Essa dúvida cria uma espécie de vínculo espiritual duplo. Ou seja pensa duas coisas distintas ao mesmo tempo sem perceber que está fazendo isto.

Determinado pastor estava fazendo uma libertação e perguntou: “Qual é o seu nome, demônio?” O demônio deu a entender que era “o espírito da mentira”. Então, o pastor (cheio de autoridade) indagou: “É verdade mesmo o que você está me dizendo, demônio da mentira?!”

Voltando a história de Tomé. Jesus se dirigiu a Tomé e ele creu. Jesus então observou: Porque me viu, você creu? Felizes os que não viram e creram. Jo 20.29

Tomé além de ver ele queria sentir. Conheço crentes que vivem dizendo: “eu não senti, portanto não faço.” Não é pelo que você vê, e nem pelo que sente; é pelo que você crê. É pela fé e não pelos sentidos. Este exemplo talvez lhe ajude a entender:

Durante a libertação, o bocal de lâmpada estava vazio e pendurado sobre a cabeça do pastor. Quando ele levantou o braço o dedo foi parar dentro do bocal que estava energizado. No momento que o pastor disse: “Solte ele”, sentiu o efeito da corrente elétrica e completou: “E a mim também”.

O cinismo é uma forma de dúvida mais perigosa que o ceticismo. . As pessoas cínicas apresentam conclusões (que normalmente são negativas) sem se importar com as conseqüências. Por exemplo: “O mundo não é justo. As pessoas não são confiáveis. É claro que as circunstancias vão piorar. Coisas ruins sempre acontecem a pessoas boas. Coisas boas só acontecem com os outros”.

Nota: Dê um abraço em uma pessoa cética, e ela duvidará de sua sinceridade. Dê um abraço em um cínico, e ele conferirá se você não lhe roubou a carteira do bolso.

Investigue a vida de qualquer cínico, e você encontrará um idealista ferido. (Em razão de alguma dor ou decepção anterior). Por isso, os cínicos, (se defendem) tirando conclusões sobre a vida, antes mesmo que as perguntas sejam feitas. A dinâmica por trás do cinismo é o medo de aceitar responsabilidades.

O exemplo bíblico de cinismo foi um homem chamado Pilatos. Na época de Jesus, Pilatos era o oficial de mais elevada posição hierárquica na Judéia. Educado e poderoso, (tinha grande autoridade). Sua incumbência era evitar as criticas aos romanos e a paz na Judéia. Talvez, quando jovem, tivesse crido na lei e na justiça, mas agora depois de conviver muito tempo com o poder. Qualquer um que o convidasse a crer o suficiente em alguma coisa, a ponto de ter de se sacrificar por ela, seria considerado um encrenqueiro.

Quando Jesus, (um simples carpinteiro), foi levado à presença de Pilatos e se declarou apto a testemunhar a respeito da verdade, Pilatos respondeu com a seguinte pergunta:

Que é a verdade? Jo 18.38

Com esta pergunta ele estava dizendo: “Como você pode estar certo de alguma verdade seja lá a respeito do que for? Que tipo de conhecimento você pensa ter? Que tipo de diferença você acha que pode fazer? Por que você não para de tentar salvar o mundo, e acaba com toda essa confusão?”

Nota: É interessante lembrar que próximo ao fim do império romano, todas as religiões eram consideradas igualmente verdadeiras pelo povo, igualmente falsas pelos filósofos e igualmente úteis pelos políticos. Multidões ingênuas, intelectuais céticos e poderosos cínicos.

Pilatos não estava interessado numa resposta, o que ele queria era evitar responsabilidades. Como Mateus escreveu:

Quando Pilatos percebeu que não estava obtendo nenhum resultado, mas, ao contrario, estava se iniciando um tumulto, mandou trazer água, lavou as mãos diante da multidão e disse: Estou inocente do sangue deste homem; a responsabilidade é de vocês. Mt 27.24

Isto não é resposta. É só uma maneira de evitar o problema. Por mais estranho que pareça, as igrejas (ou os púlpitos) podem ser terreno fértil para a procriação do cinismo. Quando os líderes usam uma linguagem espiritual para esconder o próprio empenho em conquistar poder, (controle e aplausos), o cinismo brota como erva daninha.

A rebeldia é a forma mais séria de dúvida capaz de nos fazer mal. É a recusa de crer. Não é a incerteza no nível intelectual, mas uma solida decisão da vontade. Rebelde não é aquele que não crê e pronto. É alguém que não quer crer.

Os rebeldes não querem que a história de Jesus seja verdadeira. E esse desejo é tão intenso que eles analisam cada raciocínio e cada evidencia procurando uma maneira de não crer.

Nota: Os céticos questionam, os cínicos desconfiam, os rebeldes resistem.

Saul foi escolhido para ser rei em Israel. Era talentoso, forte e carismático. Contudo, o padrão de comportamento que adotara na vida revelava que ele não confiava (o suficiente) em Deus para obedecer-lhe.

A principio, Saul gostava de Davi, mas, quando desconfiou que Davi o substituiria no trono de Israel, encheu-se de ciúme e acabou recorrendo ao ocultismo. (Prática que ele tinha considerado abominável quando jovem). Se as pessoas deixarem de acreditar em Deus, passarão a acreditar em qualquer coisa.

Por fim, Saul tirou a própria vida, em vez de dobrar os joelhos diante de Deus. Isso é rebeldia. É o tipo de incredulidade que não quer crer.

Costumamos dizer que a imaginação não tem limites, entretanto você e eu somos incapazes de imaginar tudo o que Deus pode fazer.

 


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