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O monte – Ap. Doriel Dias

Oct - 30 - 2011
rafaelmaia

Estavas no Éden, jardim de Deus; de todas as pedras preciosas te cobrias… Tu eras querubim da guarda ungido, e te estabeleci; permanecias no monte santo de Deus, no brilho das pedras andavas. Ez 28.13,14

O monte é um lugar de visão. Nele você amplia a visão em sua volta e também no seu interior. Os montes parecem ser os lugares prediletos de Deus.

‘Ele se encontrou com Abraão no monte Moriá. Falou com Moisés em uma sarça em chamas sobre o monte Horebe. Entregou as tábuas da Lei no monte Sinai. Falou com Elias em cima de um monte, no “murmúrio de uma brisa suava”.

Se você parar para pensar, verá que o monte é onde céu e terra mais se aproximam um do outro. Há algo transcendente (e carismático) no monte. O profeta Ezequiel diz que o jardim do Éden ficava sobre um monte.

Estavas no Éden jardim de Deus; (…) permanecias no monte santo de Deus… Ez 28.13,14

A altura sempre nos sugere transcendência, poder e visão. Ela é venerada por muitos. No mundo antigo, os altares costumavam ser construídos em “lugares altos”. Mesmo hoje falamos em padrões e idéias elevadas. Funcionários públicos e executivos de empresas privadas disputam lugar em cargos superiores. Quando alguém se mostra pretensioso nós o mandamos descer do salto.

Grandes alturas nos inspiram, mas também nos humilham, porque expõem nossa pequenez.

  • Quando o súdito comparece diante do rei, ele se curva, reconhecendo que está na presença de alguém de posição mais elevada;
  • Quando o crente, de qualquer religião, ora (ou reza), se ajoelha, reconhecendo que está na presença do seu senhor. (O seu “deus”);
  • Quando o rapaz pede a moça em casamento, ele se apóia sobre um joelho, reconhecendo que está na presença de sua senhora.

Um dos nomes de Deus é “Altíssimo”. Este nome é usado cerca de 50 vezes na Bíblia, significando que Ele está acima de tudo.

Nota: N’Ele chegamos ao monte que não pode ser conquistado nem medido.

A Queda significou deixar o Éden e, portanto o monte. Não podemos ignorar algo sobre o cume do monte: ninguém tem permissão para ficar lá permanentemente. Todo mundo precisa retornar ao vale e enfrentar a vida lá embaixo.  Ou seja, de vez em quando a dúvida se levantará.

Jesus costumava subir no alto de um monte para orar. Assim, Pedro, Tiago e João não se surpreenderam quando, certo dia, Ele os levou consigo até o monte, (que às vezes é chamado de monte da transfiguração).

Seis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro, Tiago e João e levou-os sós, à parte, a um alto monte. Foi transfigurado diante deles; as suas vestes tornaram-se resplandecentes e sobre modo brancas, como nenhum lavandeiro da terra as poderia alvejar. Apareceu-lhes Elias com Moisés, e estavam falando com Jesus. Mc 9.2-4

Eles tiveram a oportunidade de vê-lo transfigurado no alto do monte.

Eu gostaria de levantar uma questão: Que idéia você tem da “transfiguração”? Para você a transfiguração é apenas brilho no rosto, como aconteceu com Moisés? É algum efeito especial como os que temos visto no cinema? O que é a transfiguração para você?

‘Sabemos que transfigurar é transformar em algo diferente, mas biblicamente falando, esta resposta não é suficiente.

‘Costumamos falar no arrebatamento apenas como um transporte sobrenatural. Da mesma forma que você é transportado em espírito, (inclusive com a mesma velocidade). Num piscar de olhos você sai de um lugar para outro independente da distância. No arrebatamento ocorrerá isto, só que com o corpo, e este corpo estará transformado (ou melhor, transfigurado) pela glória de Deus.

Nota: É assim que penso. Teremos as vestes adequadas para estar na presença do Senhor. Esta é uma posição elevada que (realmente) desejo, e você?

Quando falamos no arrebatamento pensamos em “ser transportado” as alturas e encontrar com Jesus. Não costumamos pensar que nosso corpo sofrerá uma transformação radical e simultânea. Vejamos o que a Bíblia diz:

Isto afirmo, irmãos, que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdará a incorrupção. Eis que vos digo um mistério: Nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque é necessário que este corpo corruptível  se revista de incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade. 1Co 15. 50-53

Pedro vendo Jesus transfigurado reagiu sugerindo que permanecessem naquele lugar e, (em um comentário que revela a incrível falta de entendimento), propôs construírem tendas para Jesus, Elias e Moisés,

Pois não sabia o que dizer Mc 9.6

Quando você não sabe o que dizer, o bom senso diz que é melhor ficar calado, (é melhor não dizer nada), mas, ao que tudo indica isso não passou pela cabeça de Pedro. E essa empolgação não impediu que a dúvida o dominasse depois que ele desceu do monte.

Nota: Esta experiência no cume do monte não o impediu de negar Jesus na frente de todo mundo quando foi pressionado pela criada do sumo sacerdote.

Por que não podemos ficar para sempre no monte? Não sei. Talvez seja porque, por mais que a felicidade seja importante, há outras coisas que devem acontecer, de modo que a felicidade não se torne o tipo errado de “deus”.

Talvez, se ficarmos tempo demais no cume do monte, corra o risco de adorar o monte, onde encontramos Deus, em vez de adorar o próprio Deus. Vamos sempre ficar procurando a sensação da experiência. Muitos caem nesta cilada e só querem sentir.

Os evangelhos registram nove vezes em que Jesus disse a alguém: “A sua fé o curou”. E, algumas vezes, em que, elogiou a fé das pessoas mais improváveis. Isto acontecia quando os estrangeiros demonstravam mais fé do que aqueles que pensavam estar no monte.

‘Um centurião romano declarou que Jesus não precisava nem ir até sua casa para realizar uma cura; cria que bastava Ele dizer uma palavra e assim seria. Jesus fica impressionado e disse:

Não encontrei em Israel ninguém com tamanha fé. Mt 8.10

‘Uma mulher Cananéia, teve fé suficiente para importunar Jesus, durante um período de descanso, e pedir que Ele ajudasse a sua filha. Jesus testou a fé daquela mulher, lembrando que foi enviado para as ovelhas perdidas de Israel e não para aos “cachorrinhos” gentios. A mulher insiste, até ser revelada, a fé que Jesus sabia estar nela o tempo todo:

Mulher, grande é a sua fé! Mt 15.28

Por que a fé prospera com tanta freqüência, onde menos se espera? Não sei! Mas, talvez, está seja uma boa resposta, do por que descer do monte. Só sei que Jesus sempre diz a mesma coisa: “É hora de deixar o monte. É hora de descer.” Jesus disse aos discípulos:

É necessário que o Filho do homem sofra muito e seja rejeitado com desprezo. Mc 9.12

Traduzindo em muito mais palavras: “Vocês terão de passar por tudo isso comigo. (ou, vocês terão de descer o monte comigo). Terão de enfrentar a confusão e a dúvida; terão responder as perguntas e lutar”.

“Haverá uma crucificação. Depois disso, uma ressurreição. Por outro lado, aproxima-se o dia em que vocês voarão alto, mas esse dia ainda não chegou. Hoje vocês terão de confiar em mim. Precisamos descer do monte”.

‘Eles desceram, mas as coisas não estavam muito boas lá em baixo. Encontraram um pai desesperado em busca de ajuda. Seu filho vivia atormentado por um demônio, e sofria convulsões e todas as conseqüências de um comportamento autodestrutivo. O homem procurava Jesus, e alguns discípulos disseram que Ele subira ao monte. O homem, então, perguntou: “Vocês podem me ajudar? Não suporto mais essa situação”. Os discípulos responderam que podiam.

Nota: Eles estavam acostumados a ver Jesus orar, a fazer curas e libertações. Repetiram as mesmas palavras de Jesus, mas elas não funcionaram. As coisas não deram certo.

‘Uma multidão assistia a tudo. No meio dela havia pessoas que não criam em Jesus, e estavam ali como curiosos (a procura do que criticar). E quando viram os discípulos fracassar zombaram. (Colocaram para fora suas verdadeiras intenções, apontando o dedo, criticando e acusando).

‘Os discípulos se sentiram envergonhados, e em vez, de se concentrarem na necessidade do homem e seu filho, se meteram em uma grande polêmica sobre religião, assumindo uma postura defensiva: “Vocês estão errados e nós certos”. A discussão divertia a multidão.

Quando Jesus, (acompanhado de Pedro, Tiago e João), retornou quis saber o que está acontecendo: “Sobre o que vocês estão discutindo?” Perguntou. O pai explica que seu filho vive atormentado por um espírito que o deixou mudo, e o lança ao chão em convulsões. E acrescenta: “Eu o trouxe na esperança de que o Senhor pudesse ajudar, mas o Senhor tinha saído, então pedi a seus discípulos que me ajudassem, mas eles não conseguiram”.

Os discípulos devem ter ficado envergonhados ao ouvirem aquilo (era a testificação que não conseguiram ajudar alguém necessitado porque careciam de poder espiritual). Além disse, acabaram se envolvendo em uma briga, que não causara bem algum, e parecia ridícula à multidão de espectadores.

Às vezes, um dos maiores obstáculos à fé em Jesus é a nossa incompetência, e a arrogância de nossas atitudes. Jesus se dirigiu basicamente aos discípulos ao dizer:

Ó geração incrédula, até quando estarei com vocês? Mc 9.19

Ao pai, (Jesus) pediu: “Traga-me o menino.” Ele atendeu e o menino entrou em convulsões violentas, rolando no chão, e espumando pela boca. Todo mundo permanece em silêncio.

Jesus pergunta: “Há quanto tempo ele está assim?” “Há muito tempo”, responde o pai. “Desde a infância. Diversas vezes ele quase morreu”. Então o pai implorou:

Mas, se podes fazer alguma coisa, tem compaixão de nós e ajuda-nos. Mc 9.22

Às vezes revelamos as nossas convicções mais profundas, com uma única palavra. Foi assim com aquele homem. (Ele disse: “Se”). “Se” não é palavra que se use no cume do monte. O “se” é apropriado para o discurso do vale.

O homem disse: “Jesus, veja o estado do menino. Oro por ele todos os dias. Há anos peço a Deus para fazer alguma coisa, pois não suporto ver meu filho neste estado, mas nada acontece, e ele continua assim”.

E continuou: “Jesus, toda vez que um novo rabino apareceu, toda vez que fui ao templo, toda, vez que soube de um homem santo com fama de curar, levei meu filho. E pedi, a cada um deles, e a resposta sempre foi negativa, e não consegui nada”.

“Então ouvi falar do senhor, e me enchi de esperança mais uma vez, e trouxe o menino, mas tudo isso se transformou num circo, com todo mundo olhando para ele, mas se o senhor puder fazer alguma coisa”.

Jesus se ateve ao “se”, e fez uma declaração, (que nos alegra e ao mesmo tempo envergonha), que nos leva ao topo do monte e nos coloca na sua base:

Tudo é possível àquele que crê. Mc 9.23

Jesus, (de certa forma), devolveu a questão acrescentando um “se” próprio –  O homem pediu socorro se fosse possível. Jesus respondeu que tudo é possível se ele crer. Pois sabia que há poder na fé, e que pela fé há interação com a realidade espiritual.

Se você estivesse no lugar daquele pai o que faria? Você lamentaria por não ter fé ou fingiria ter? Passaria por alguém espiritual, temendo ser considerado o responsável (pela infelicidade do menino) ou confessaria sua incredulidade?

Quando você estuda a historia dos gigantes da fé, descobre que eles não usam o “se”, mas termos que unem a certeza do que querem, a confiança de realização: “uma vez que”, “portanto” ou “quando”. O que demonstra uma fé firme, e não uma condicional como a desse homem.

Nota: O “se” demonstra que a fé do homem é condicional, e por isso ele faz um pedido condicional: “Se puderes…”

Quando Jesus chama a atenção para esse fato, o homem não hesita em dar uma resposta, que demonstra o seu dilema, e demonstra que a sua esperança depende de um “se”:

Creio ajuda-me a vencer minha incredulidade! Mc 9.24

Aquele homem estava dizendo: “Eu creio e duvido. Espero e temo. Oro e vacilo. Peço e me preocupo. Eu quero crê, mas a minha fé não está funcionando muito bem. Ajude-me a vencer a minha incredulidade”.

Gosto dessa confissão: “A minha fé não está funcionando muito bem”. Gosto desta oração: “Ajude-me a vencer a minha incredulidade”.

Você já fez essa oração? (Eu preciso dela e você?). Eu não tenho escutado orações como esta: “Senhor ajuda-me a vencer a minha incredulidade”. Mas, tenho ouvido, (com certa freqüência), a oração do descrente: “Faça isso ou aquilo, “se” for da Tua vontade”.

Jesus sabia o que fazer com o “se” daquele homem, e curou o menino. Entregue a sua incredulidade a Ele e Ele saberá o que fazer. Jesus transformou aquela fé condicional numa confissão genuína.

Agora a conversa é conosco, e a pergunta é: Você acha que essa história aconteceu de verdade? Talvez você tenha dúvidas, e por isso a sua fé não esteja funcionando muito bem? Talvez questione a parte do demônio ou queira perguntar se os milagres ainda são possíveis nos nossos dias.

Sua fé tem condicional? Quantas vezes você usa o “se” em relação ao evangelho, ao testemunho de Jesus, ao papel da igreja ou ao relacionamento com suas lideranças? Não tente esconder de Jesus suas dificuldades, creia que Ele é capaz de entendê-las e ajudá-lo.

Em uma Epistola chamada Judas, no final do NT, há um verso (maravilhoso), que raras vezes é lido:

Tenham compaixão daqueles que duvidam. Jd 22

Um dia o nosso “se” haverá de se transformar em um glorioso “quando”.

Quando é que o Senhor vai transformar esta incerteza em certeza? Quando é que o Senhor vai transformar a minha família? Quando é o Senhor vai resolver isto ou aquilo?

Quando, quando e quando, porque você tem certeza que será feito, embora não saiba quando.

Às vezes o salto da fé é o único meio de transporte.

Quando você vier a mesa da Ceia venha confessando aquilo em que sua fé não está funcionando muito bem.

Coloque todos os “se’s” no altar, confiante que ele saberá o que fazer com cada um deles.

 


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